sábado, 21 de março de 2026

 

Porque carregas contigo esse olhar de angústia,
Esse olhar de melancolia vaga e alienada
Que se perdeu no tempo e no espaço?
Onde te deixaste envolver por essa névoa sem sentido,
Que permeia a solidão e o desapego
Mas que se afunda no vácuo da ociosidade e da letargia?
Em que tempo te encontras-te para revolveres o teu universo interior
Numa luta constante de significados procurados e respostas ansiadas?
Qual o espaço que anseias sem nunca encontrar um rumo que te prenda ou
Que te ofereça uma luz ou um guia para a sua descoberta, em que
Canto deste cosmos te perdeste e lá deixaste essa tua essência que
Não desvendas nem conheces e que te faz vaguear neste mundo sem
Sentido nem orientação?

Fecha os olhos companheiro, fecha os olhos…
É no silêncio da escuridão e na negrura da ausência do som
Que o mundo se te revela, que o teu mundo se te revela,
É na quietude do teu ser e na interiorização dos teus sentidos que
As respostas te aparecem… fecha os olhos companheiro,
Respira fundo e devagar, olha para dentro de ti!

Segura em ti meu menino, segura em ti esse brilho
Que carregas contigo nesta vida, que
Abraçaste à nascença e te ilumina o teu ser,
Esse brilho inamovível que apenas se ofusca nas horas
De angústia e de dor, que se irradia nas de prazer e de amor,
Esse teu brilho que nada o pode extinguir, segura esse teu
Brilho meu irmão, meu amigo.

Aligeira essa dor que trazes contigo, esse trauma
Que herdaste dos teus ancestrais, essa forma de olhar
A vida com ressentimento e resignação, aligeira esse fardo
Que outrora abraças-te, que julgas tão indispensável e tão
Inerente ao teu ser.
Não, meu irmão, a vida não tem de ser necessariamente
Um fardo que carregas sentenciosamente, abre-te para ela,
Olha-a com amor, com meiguice, com gratidão,
Não te deixes envolver pela amargura ou pela depressão,
Não te deixes olvidar da beleza do amor, da vida!

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