Nesta imensidão do cosmos que
Tem o seu término nesta vasta terra em
Que habitamos, somos apenas a fagulha,
Somos apenas o resíduo da matéria
Que percorre milhas e iões para aqui se alocar.
Sempiterno é o que essa fagulha esconde,
A origem ou a fonte donde ela provém
Cujo espaço nos é desconhecido.
Mas se escutarmos o som dos ventos onde
As palavras do criador se sussurram para quem as quiser ouvir,
Encontramos nelas as respostas que nos fazem sentido.
Não, ilustre companheiro que nos dias chuvosos
Sofres da angústia dilacerante que aos incautos acomete,
Não olhes apenas para o visível e risível
Que o mundo te oferece,
Não evites o olhar do cosmos e da criação
Que está sempre presente nos sussurros dos teus sonhos
Ou na imensidão das noites mais negras e da sua escuridão,
Ouve o bater do teu coração e olha o céu que sobre ti se desaba,
Percorre os caminhos inóspitos da tua alma para te descobrires,
Para te libertares das amarras tortuosas que ela te lançou
Pelo esquecimento que o nascimento te causou.
Oh meu querido, meu mais precioso companheiro
A morte é tão natural quanto a vida
Mas de nada vale apressá-la,
Não te prendas aos sentimentos de angústia
Ou a tristezas dilacerantes que aos sete ventos
Reclamam as dores do passado.
Não te esqueças do presente e do seu contraste
Com a efemeridade do que já foi,
O seu valor reside no que é e na sua permutabilidade,
É para ser vivido na sua plenitude.