Lá ao longe, bem longe do que a minha vista alcança,
onde o mar se esconde dos
olhares ininterruptos da plebe,
onde a profundidade de um pensamento
se imiscui com a de um olhar, oh triste
olhar que nos remete para o infinito,
lá longe onde a esperança
se perde pelos trilhos da ignorância
e da soberba, onde esse olhar se enche
de ressentimento e se cobre de desespero,
são os ventos da modernidade
que acarretam os perigos da humanidade,
lá longe eu vislumbro esse mundo
que nos ameaça e alcança…
A inspiração vai e vem
como ondas do mar que
nos assaltam,
como nuvens fugidias que
ora trazem chuva ora trazem nada,
sem avisar se vai e sem avisar retorna,
às vezes basta começar para ela
surgir, outras vezes é em vão as horas
que se gastam na sua procura…
oh inspiração, que mistério é esse
em que te envolves? De que matéria
és feita e em que campo quântico
te quedas?
Mas é aqui bem perto,
mais perto do que pensamos,
que a história ameaça repetir
os erros do passado,
que o mal anuncia onde cair
e onde fazer estrago…
se a miserabilidade do povo
é a opulência das elites,
é também o mesmo povo que
permite esse suplício;
mas se o ciclo se completa
e se acaba o kali yuga,
pode ser que o ser suplante o vício
e a consciência floresça.