Oh cantor bandoleiro, filho de pais presos
Numa era de atrocidades gratuitas,
Cantor ingénuo que julgou um dia ter vivido
Numa era de igualdade e liberdade,
Filho da utopia e da falsa promessa democrática,
Cantor que tarde abriu os olhos para o mundo que o rodeia.
Oh cândido ser que um dia acreditou na bondade alheia,
Cerra os teus punhos e faz-te à vida, sorri mas cerra os dentes
E perscruta tudo à tua volta. Não tenhas medo, mas desconfia,
Corre atrás da vida porque o tempo escasseia, não te esqueças
Do azul do céu e do verde da natureza, eles são a beleza do mundo,
Dá valor a cada inspiração tua, lembra a dádiva que é a vida!
Oh cantor inaudito, chora um pranto eterno de saudade,
Canta a melancolia enraizada em cada poro do teu corpo,
Ama a tua impotência tanto quanto o seu oposto, a resistência
Só perdura aquilo a que se resiste, sente a energia do teu corpo.
Oh cantor misantropo, não te esqueças de cantar todo o teu pesar,
De amar as tuas feridas tanto quanto as tuas alegrias,
De cantar os sonhos que te embalam nas noites frias e solitárias,
De olhar o próximo com a compaixão necessária. Não te esqueças cantor…
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