Juro,
solenemente,
só mesmo por apenas jurar,
sem sequer perceber o que daí vai resultar,
ou mesmo sem entender o que é o jurar
e se tudo isso irá perdurar.
Mas juro,
continuo a jurar,
sabendo ou não o que irei falar,
ou argumentar,
que a lei da palavra é irrevogável,
assim como a da alma é impenetrável.
Por isso juro,
e voltarei a jurar,
juro sob todos os axiomas,
sob todas as coisas envoltas em redomas,
sob todas as palavras proferidas
dissipadas ou esquecidas.
E olho,
com olhar desconfiado
mas compenetrado,
as rosas que florescem no mato
e as silvas que as acompanham nesse rumo inato.
Caminho,
às vezes apenas por caminhar,
sem rumo,
sem horizonte onde fixar
o olhar,
sem céu nem terra a que possa chamar
meu lugar!
Caminho sim,
sem nunca alcançar,
sem nunca vislumbrar,
com este cândido olhar
um sítio onde me quedar,
sem nunca chegar a preencher
nem conseguir poder
criar um lugar de lazer
onde o meu coração permanecer.
E, portanto, caminho
incessantemente,
num rumo permanente
onde a vontade é presente
e o cansaço ausente,
onde o amor nunca mente
e o ser é carente.