sexta-feira, 20 de março de 2026

 

Ó liberdade, onde andas tu?
Quantas horas desperdiçaste ao luar, olhando as estrelas
Tão brilhantes e simbólicas que da efemeridade luzidia
Nos alcança a suave brisa do cosmos?
Em quantas estradas te perdeste, procurando o azul do mar
Espelhado nos olhos de uma criança que da fertilidade
Terrena nos abraça?

Ó liberdade, preciosa liberdade,
Tão erroneamente confundida com libertinagem, tão
Agreste no seu sentido dispersivo, corroída até às entranhas
Carcomidas pelo véu do esquecimento!

Ó liberdade, tu que permeias
O mais audaz dos audazes, tu que devias ser causa inerente a todo o ser,
Tu que inundas o coração humano com a tua doçura e a tua frescura,
Onde te perdeste? Em que rumo te dirigiste para comutar nas falácias e nas
Falsidades deste mundo, nas ilusões mitológicas e democráticas, nos enganos
Dos falsos messias e dos falsos filósofos? Onde ficaste quando o homem conheceu
O poder?

Ó liberdade, em que raça ou credo te fincaste, como se a ti te fosse exclusiva
Uma raça ou um credo, como se a ti te fosse exclusiva uma cor ou um género, ó melíflua
Liberdade, quem te individualizou quando na tua natureza reside o colectivo?
Em que mundo te encontras tu, ó liberdade?

Ó justiça, onde andas tu?
Quem alguma vez te viu e te prendeu?
Em que mente tão utópica te quedaste, ó justiça?
Em que sonhos te fincaste? Em que vidas te perdeste?

Ó justiça, em que névoas te dissipaste e em que palavras te esfumaste?
Porque carregas contigo esse peso da impossibilidade, esse
Peso da parcialidade? Porque te agarras ao poder e rejeitas a miséria sem
Confraternizar com a isenção, com a neutralidade? Que caminhos tão tortuosos
Trilhaste para te banhares em águas tão inglórias e tão soberbas?
Que olhares odiosos enfrentaste para nunca abraçares a piedade e a seriedade?

Ó justiça utópica, tão efémera quanto a democracia que te enalteceu,
Onde te corrompeste? Onde te deixaste bajular e oprimir? Onde te deixaste
Iludir e aliciar pela malicia e pelo poder? Em que reinos te quedaste, ó justiça?

Sem comentários:

Enviar um comentário