Era noite, daquelas noites gélidas em que o brilho do luar
Nos ilumina a eterna mansidão do olhar,
Daquelas noites melancólicas em que a candura
De uma criança nos alcança com a ternura,
Era noite e todos os sonhos do homem
Se esfumavam pela frincha de uma janela.
Ah meu irmão, quantas noites como essa
Me abalaram o coração,
Quantos olhares perdidos nessa vastidão
De um luar imersivo se ofuscaram na imensidão
Desse cosmos misterioso que emerge nos olhos
Irrequietos e vorazes do ser! Ah meu irmão,
Quantos olhares amorfos se resgataram nessas noites
Fantasmagóricas e místicas em que o coração reclama
Por uma lágrima que exorte todo o êxtase contido!
Foi a tua memória meu irmão, foi a tua memória que
Me agarrou a essas noites sacras que afundavam
A consciência de um homem na eterna busca de um sentido,
Foi a tua memória que me lançou no eterno e vasto
Manancial de descobertas interiores.
Era noite sim, era uma noite tão obscura
Quanto os misticismos mais negros,
Era uma noite tão interminável que toda
A névoa glacial que nos alcançava se diluía
Na nossa melancolia espectral. Era noite sim,
E foi nessas noites tão cristalinas quanto a obscuridade
O pode ser, que a visão de um novo ser se formou,
Foi nessas noites em que a ressurreição se deu
Que o olhar interior encontrou o novo homem,
Foi nessas noites que a compreensão da imensidão
Do cosmos penetrou na infinitude do meu ser.
Oh meu irmão, o que as saudades me falam
O amor mo traduz, o que a dor me tirou
A paz me retribuiu. Até um dia meu irmão!
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