quarta-feira, 25 de março de 2026

 

Será meu amigo, que na noite mais escura
Em que a lua te abraça e te conforta
Te olha no fundo da alma e te sussurra baixinho:
És tu meu anjo, meu pequeno anjinho
És tu que olhas à noite o meu brilho misterioso
E me contas os teus segredos envoltos nas lágrimas
De quem não sabe lidar com a implacabilidade
Deste mundo tão atroz quanto belo,
Tão cruel quanto bondoso?

Será meu amigo, será que escutas o grito lancinante
Do profeta renascido que te chama e reclama,
Será que lembras o momento em que a veemência
Do coração te atacou e te lançou
Nas trevas da eterna tempestade que colhe os frutos semeados?

Ou será que não te lembras do lume que irrompeu
Nas tuas entranhas e alcançou a tua mente
Para que olhasses onde no teu corpo te encontravas
E quem no fundo de ti residia?

Pois eu lembro-me meu amigo, eu lembro-me
Bem do dia que te olhei, que segui os sussurros
Da lua mais brilhante e mais redonda que os meus olhos alcançaram
E te observei nesse fundo de mim tão fundo que nem o luar te alcançava.
Eu lembro-me de te (re)ver e te (re)conhecer, de te agarrar e te voltar a sentir,
Pois foi nesse dia que (re)nasci, foi nesse dia meu amigo que eu e tu
Passamos a ser eu, que a luz me inundou e a escuridão me abandonou…
Eu lembro-me de mim!

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