Como a multidão deste sítio onde me encontro
Que carrega consigo tanta desilusão,
Tanto adorno em torno de si, como ontem
Ou hoje ou amanhã, o mundo sempre acordará
Na esteira de um holocausto
Enquanto as mentes humanas se perpetuarem
Nesse marasmo de ideias e de sapiência que
Vagueia nesse cosmos sem nunca se infiltrar nalgumas consciências,
Conduzidas por frequências energéticas do colectivo, que
É espelhado pelas inúmeras consciências individuais…
Oh, é tão irascível reparar na apatia e na cegueira humana,
Na constante adaptação do Ser à banalização do mal
Que o homem carrega consigo… é tão repugnante assistir
Ao caos que as sombras do homem produzem!
Não, o mundo não espera por ninguém, ele
Se reproduz, se metamorfoseia, evolui, atravessa gerações cíclicas
E perpetua no tempo a sua assinatura, carrega o
Cataclismo consigo para escorraçar o mal quando dele se fartar,
Quando o amor tiver de ser imperativo,
Quando a intolerância reinar e um cancro originar…
Sim, o mundo sabe o que faz, ele observa
E espera pelo momento de o afugentar,
Ao caos e às trevas do obscuro, do lado negro da alma humana
Que escurece e mancha a beleza do mundo.
Somos produtos do passado
Com os olhos no futuro
Resignados com o presente, enganados
E iludidos pela efemeridade do futuro e
Pela danação do presente como dado adquirido,
Como natureza humana, a falácia das falácias,
A natureza humana é aquilo que o humano quiser que seja,
É aquilo que ele fizer dela, como o tem feito há milénios.
É preciso abrir o coração e a mente,
Olhar o mundo com outros olhos, não com esperança
Mas sim com determinação, com bravura e arrojo
Na ânsia de mudar o mundo, de se mudar a si mesmo para
Mudar o mundo. É preciso amor ao invés de ódio, perceber que a paz
Apenas se conquista pela paz, não com a guerra, não com a força,
Não com violência.
Ozu sabia bem que a tranquilidade é a essência da alma humana…